Fadiga constante e dor muscular: pode ser fibromialgia?
Postado em: 09/06/2025
Telemedicina com agenda limitada: sábados (horário comercial) durante minha especialização no exterior (Cleveland, EUA).

Não é raro que pacientes cheguem ao consultório dizendo: “Estou sempre cansado, com dor no corpo todo, mas meus exames estão normais”. É nesse momento que acende um alerta importante: será que estamos diante de um quadro de fibromialgia?
A fibromialgia é uma condição real, apesar de muitas vezes desacreditada. Ela não aparece em exames de sangue, não altera estruturas visíveis em imagens, mas provoca um impacto profundo na qualidade de vida.
Hoje quero conversar com você sobre como essa dor se manifesta, como identificar seus sinais e, principalmente, como tratá-la com respeito e estratégia.
O que é a fibromialgia?
A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica que afeta músculos, articulações e tecidos moles, mas sem uma inflamação identificável.
É como se o sistema nervoso processasse a dor de forma amplificada, transformando estímulos comuns em sofrimento constante.
Ela é mais frequente em mulheres entre 30 e 60 anos, mas também pode afetar homens e até adolescentes.
O grande desafio é que seus sintomas são difusos, variáveis e muitas vezes desacreditados até por profissionais de saúde. E isso só aumenta o sofrimento de quem vive com ela.
O que causa a fibromialgia?
Ainda não sabemos ao certo. Acredita-se que fatores genéticos, traumas físicos ou emocionais, infecções e distúrbios no sono possam estar ligados ao surgimento da fibromialgia.
O que sabemos é que há uma alteração nos neurotransmissores envolvidos na modulação da dor, como se o cérebro estivesse com o “volume” da dor aumentado o tempo todo.
Principais sintomas da fibromialgia
A fibromialgia vai além da dor no corpo. Ela é uma síndrome, ou seja, um conjunto de sinais e sintomas que se manifestam de forma persistente. E muitos desses sinais são difíceis de explicar, mas muito reais para quem sente.
Dor difusa e persistente
É uma dor crônica, que atinge o corpo inteiro. Não é localizada. Pode mudar de lugar, piorar com o estresse, com o frio, com noites mal dormidas. E o mais comum: ela está presente quase todos os dias.
Fadiga extrema
Não é cansaço comum. É uma fadiga incapacitante, como se a pessoa acordasse já esgotada. Mesmo após uma noite inteira de sono, ela se sente exausta e muitas vezes sem energia para realizar tarefas básicas.
Distúrbios do sono
A fibromialgia costuma vir acompanhada de sono não reparador. A pessoa até dorme, mas acorda cansada. Em muitos casos, há insônia, dificuldade para pegar no sono ou acordar várias vezes durante a noite.
Sintomas cognitivos (“fibro fog”)
É a sensação de “névoa mental”. A pessoa tem dificuldade de concentração, lapsos de memória, fala embaralhada ou sensação de que o raciocínio está mais lento.
Sensibilidade aumentada
Estímulos que não deveriam causar dor, como um toque leve ou uma mudança de temperatura, são percebidos como desconforto intenso. É o que chamamos de alodinia.
Outros sintomas associados
- Intestino irritável
- Enxaqueca
- Ansiedade e depressão
- Sensibilidade à luz e sons
- Formigamentos
Estou em período de especialização no exterior (Cleveland, EUA) e mantenho consultas online aos sábados para quadros que se beneficiam do cuidado à distância (Parkinson, Demências/Alzheimer, Enxaqueca e Epilepsia).
Como eu diagnostico a fibromialgia no consultório
O diagnóstico da fibromialgia é clínico. Isso quer dizer que ele não depende de exames de sangue ou imagem, mas sim de uma escuta atenta, um bom histórico clínico e exame físico detalhado.
Uso critérios específicos, como a presença de dor em pelo menos 11 de 18 pontos do corpo e sintomas associados por mais de três meses. Avalio também o impacto funcional, emocional e social da dor.
Exames complementares: servem para quê?
Os exames não confirmam a fibromialgia, mas são importantes para excluir outras condições que causam sintomas parecidos, como:
- Hipotireoidismo
- Artrite reumatoide
- Lúpus
- Miopatias
- Carências vitamínicas
Fazer essa exclusão é essencial para ter segurança no diagnóstico e evitar tratamentos desnecessários.
Tem tratamento para fibromialgia?
Sim, e não precisa ser à base de sofrimento. O tratamento da fibromialgia é multidisciplinar e exige parceria entre médico e paciente. Ele envolve:
- Medicações como antidepressivos (amitriptilina, duloxetina), anticonvulsivantes (pregabalina) e relaxantes musculares
- Atividade física regular, preferencialmente aeróbica e de baixo impacto
- Psicoterapia, com ênfase em estratégias de enfrentamento e controle do estresse
- Terapias complementares, como acupuntura, fisioterapia e mindfulness
- Melhora da higiene do sono
Não existe um remédio mágico, mas sim um conjunto de ações coordenadas que reduzem os sintomas e melhoram a qualidade de vida.
Fibromialgia tem cura?
Não existe cura no sentido tradicional, mas existe controle. Com o acompanhamento certo, é possível reduzir os sintomas, melhorar o sono, recuperar a energia e voltar a ter uma vida mais leve.
Já acompanhei pacientes que chegaram sem esperança e, com o tratamento correto, retomaram o trabalho, a rotina, as atividades sociais e até o prazer de viver. É possível, sim.
O corpo fala e a fibromialgia é um pedido de escuta
A fibromialgia é silenciosa nos exames, mas grita no corpo e na alma de quem vive com ela. Negá-la só aumenta o sofrimento. Escutá-la com atenção e respeito é o primeiro passo para transformar a dor em cuidado.
Se você sente dor no corpo todo, cansaço que não passa, e já ouviu que “é psicológico” ou “coisa da sua cabeça”, saiba que não está sozinho. A ciência reconhece a fibromialgia, e o tratamento existe.
Vamos entender juntos o que está por trás da sua dor?
Se você vive com dor constante, fadiga, sono ruim e desânimo, agende uma consulta comigo. Juntos, podemos investigar com calma, montar um plano de cuidado e retomar o controle da sua saúde.
Telemedicina aos sábados (horário comercial), com agenda limitada durante minha especialização no exterior (Cleveland, EUA).
Atendo online: Parkinson, Demências (ex.: Alzheimer), Cefaleias/Enxaqueca e Epilepsia.
Quando o exame físico é essencial, articulo avaliação presencial com colega de confiança no Brasil e sigo o cuidado online quando indicado.
Dr. Thiago Trajano
Neurologista
CRM: 219391/SP
RQE: 136520