Esquecimentos frequentes podem ser Alzheimer?
Postado em: 04/06/2025
Telemedicina com agenda limitada: sábados (horário comercial) durante minha especialização no exterior (Cleveland, EUA).

No consultório, essa é uma das perguntas que mais escuto: “Doutor, será que estou com Alzheimer?”.
A dúvida costuma aparecer quando a pessoa percebe que está esquecendo coisas com mais frequência: nomes, compromissos, onde guardou objetos. A palavra Alzheimer já vem à mente como um susto. E eu entendo.
Mas nem todo esquecimento significa que algo está errado. E, ao mesmo tempo, é importante olhar com atenção para os sinais que o corpo e a mente nos dão.
Neste artigo, quero te ajudar a entender quando os esquecimentos frequentes fazem parte do ritmo da vida… e quando podem ser um alerta para investigar Alzheimer.
O que é Alzheimer, afinal?
A doença de Alzheimer é um tipo de demência. Ela causa perda progressiva de funções cognitivas, como memória, atenção, linguagem e raciocínio, e afeta principalmente pessoas com mais de 60 anos.
Mas o diagnóstico não depende só da idade. Depende do conjunto de sinais, da intensidade dos sintomas e de como isso interfere na vida da pessoa.
A perda de memória recente costuma ser o primeiro sinal. Aos poucos, o Alzheimer vai afetando também a capacidade de se organizar, reconhecer lugares, realizar tarefas do dia a dia e, mais adiante, até se comunicar ou se vestir sozinho.
Esquecer é normal. Mas até que ponto?
Todo mundo esquece. Com a correria, a sobrecarga de estímulos e o estresse, é comum ter lapsos de memória, como esquecer onde deixou as chaves ou não lembrar de um nome na hora. Isso faz parte da vida moderna e, na maioria das vezes, não é Alzheimer.
A diferença está na frequência, na progressão e no impacto desses esquecimentos:
- Você esquece, mas depois lembra? Pode ser algo benigno.
- Você esquece completamente e não se dá conta? Já é sinal de atenção.
- A família começou a perceber e comentar? Esse é um ponto importante.
- Você está tendo dificuldade para realizar tarefas simples? Vale investigar.
Principais sintomas do Alzheimer
Ao longo dos anos atendendo pacientes com suspeita de Alzheimer, percebi que os sinais aparecem de forma sutil e muitas vezes são atribuídos ao envelhecimento “normal”. Mas existem diferenças claras entre o que é esperado da idade e o que é um alerta.
Sintomas iniciais
- Esquecimento de fatos recentes, mesmo após repetição
- Dificuldade para lembrar datas, compromissos e nomes de pessoas próximas
- Repetição de perguntas ou histórias no mesmo dia
- Perda de objetos com frequência (e dificuldade de refazimento mental para procurar)
- Dificuldade para encontrar palavras comuns durante uma conversa
Sinais de progressão
- Confusão com horários, lugares e sequências de tarefas
- Problemas para lidar com contas ou seguir receitas conhecidas
- Alterações de humor e comportamento sem explicação clara
- Afastamento de atividades sociais ou familiares por insegurança
- Dificuldade para se orientar em ambientes familiares
Estou em período de especialização no exterior (Cleveland, EUA) e mantenho consultas online aos sábados para quadros que se beneficiam do cuidado à distância (Parkinson, Demências/Alzheimer, Enxaqueca e Epilepsia).
Como eu investigo suspeita de Alzheimer no consultório
A primeira coisa que faço é escutar. Escuto o paciente, escuto a família. Pergunto sobre os esquecimentos, há quanto tempo começaram, como é o dia a dia, se houve episódios de confusão, se a pessoa está evitando atividades por medo de errar.
Faço também testes cognitivos simples, mas bem reveladores, que me ajudam a entender a memória recente, atenção, linguagem e raciocínio.
Às vezes, peço exames complementares, como ressonância ou testes laboratoriais, para descartar outras causas de perda de memória.
Outros diagnósticos possíveis
É importante dizer que nem toda perda de memória é Alzheimer. Pode ser:
- Depressão (sim, ela pode causar lentidão e esquecimentos!)
- Deficiência de vitamina B12
- Distúrbios da tireoide
- Uso de medicamentos
- Apneia do sono
- Estresse crônico
O mais importante é não sair se autodiagnosticando. O ideal é fazer uma avaliação completa e cuidadosa.
Tem tratamento para Alzheimer?
Sim. Embora não exista cura, há formas de retardar a progressão, melhorar a qualidade de vida e preservar a autonomia o máximo possível.
Entre os recursos que uso com os pacientes estão:
- Medicações específicas para sintomas cognitivos
- Estímulo cognitivo, com exercícios de memória e raciocínio
- Atividade física regular
- Acompanhamento psicológico para o paciente e para a família
- Adaptações no ambiente para manter a segurança e facilitar a rotina
Quando o diagnóstico é feito cedo, conseguimos resultados muito melhores. É por isso que vale tanto a pena investigar.
Como a família pode ajudar?
A família é peça-chave. Ela geralmente percebe as mudanças antes do próprio paciente e pode ajudar no processo de avaliação e no acompanhamento.
Oriento sempre que o cuidado seja feito com paciência, empatia e respeito à autonomia da pessoa. Criar uma rotina estruturada, manter atividades prazerosas e incentivar a independência, mesmo que parcial, são atitudes que fazem toda a diferença.
Memória merece cuidado, não julgamento
A memória é algo precioso. Quando falha, mexe com a nossa identidade, nossa segurança, nossa autonomia. Mas ao invés de tratar o esquecimento como tabu ou motivo de vergonha, precisamos acolher e investigar com carinho.
Nem todo esquecimento é Alzheimer. Mas alguns são. E quando são, há o que fazer. Com diagnóstico precoce, acolhimento familiar e tratamento adequado, é possível viver com mais qualidade, autonomia e dignidade.
Está com dúvidas sobre esquecimentos? Vamos conversar.
Se você ou alguém da sua família está enfrentando esquecimentos frequentes, agende uma consulta comigo. Vamos investigar juntos, com calma, e entender o que está acontecendo.
Telemedicina aos sábados (horário comercial), com agenda limitada durante minha especialização no exterior (Cleveland, EUA).
Atendo online: Parkinson, Demências (ex.: Alzheimer), Cefaleias/Enxaqueca e Epilepsia.
Quando o exame físico é essencial, articulo avaliação presencial com colega de confiança no Brasil e sigo o cuidado online quando indicado.
Dr. Thiago Trajano
Neurologista
CRM: 219391/SP
RQE: 136520