O que é enxaqueca e como diferenciá-la da dor de cabeça comum?

Postado em: 13/06/2025

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“Será que essa dor que não passa é enxaqueca ou só uma dor de cabeça forte?”: essa é uma dúvida que escuto com frequência no consultório. 

Muitas pessoas convivem com dores intensas na cabeça por anos sem saber que, na verdade, o que têm é enxaqueca, e não uma dor de cabeça comum.

A diferença entre as duas pode parecer sutil, mas na prática é enorme. A enxaqueca não é só uma dor: ela envolve um conjunto de sintomas, tem causas específicas e precisa de um tratamento adequado. 

Hoje quero te explicar como identificar os sinais, o que diferencia a enxaqueca das outras dores de cabeça e quando é hora de buscar ajuda.

O que é enxaqueca?

A enxaqueca é um tipo de cefaleia primária, ou seja, uma dor de cabeça que não é causada por outra doença. Ela é crônica, cíclica e costuma vir em crises. Afeta mais mulheres do que homens e pode surgir desde a adolescência.

O que caracteriza a enxaqueca é uma dor pulsátil, geralmente em um dos lados da cabeça, que pode durar horas ou até dias, e que costuma vir acompanhada de outros sintomas, como náuseas, vômitos, sensibilidade à luz, ao som e até ao cheiro.

Causas e gatilhos comuns

Ainda não sabemos ao certo o que causa a enxaqueca, mas entendemos que há uma disfunção nos mecanismos de regulação da dor no cérebro. Fatores genéticos também influenciam bastante.

Os gatilhos mais comuns incluem:

  • Estresse
  • Mudanças hormonais (especialmente nas mulheres)
  • Sono irregular
  • Jejum prolongado
  • Certos alimentos (como chocolate, embutidos, vinho tinto)
  • Estímulos sensoriais intensos (luz forte, barulho, odores)

Cada pessoa tem seus próprios gatilhos. Uma parte do tratamento é justamente identificar quais são e aprender a evitá-los.

Como diferenciar enxaqueca de dor de cabeça comum

Essa é a parte mais importante. Nem toda dor de cabeça é enxaqueca, e saber diferenciar ajuda muito na escolha do tratamento.

Dor de cabeça comum (cefaleia tensional)

É o tipo mais frequente de dor de cabeça. Costuma ser leve a moderada, em forma de pressão ou aperto, como se fosse uma faixa apertando a cabeça. Pode durar algumas horas, mas raramente é incapacitante.

Ela não piora com esforço físico, não causa náuseas, e não costuma ter sensibilidade à luz e ao som. Em geral, está relacionada a tensão muscular, má postura ou cansaço.

Enxaqueca

Já a enxaqueca é mais intensa. A dor é latejante, normalmente de um lado só, e piora com qualquer esforço. Muitas vezes, o paciente precisa se deitar em um ambiente escuro e silencioso até passar.

A presença de náuseas, vômitos, fotofobia (incômodo com luz) e fonofobia (incômodo com barulho) é muito característica. E, em alguns casos, há aura: sintomas visuais ou sensoriais que precedem a dor.

Estou em período de especialização no exterior (Cleveland, EUA) e mantenho consultas online aos sábados para quadros que se beneficiam do cuidado à distância (Parkinson, Demências/Alzheimer, Enxaqueca e Epilepsia).

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Tipos de enxaqueca

Nem toda enxaqueca é igual. Existem variações que também precisam ser reconhecidas.

Enxaqueca com aura

Antes da dor, a pessoa vê pontos brilhantes, zigue-zagues ou perde parte do campo de visão. Algumas pessoas sentem formigamentos ou alterações na fala. Esses sintomas duram de 20 a 60 minutos e desaparecem antes do início da dor.

Enxaqueca sem aura

É a forma mais comum. A dor vem direto, sem sintomas precursores, mas com todas as outras características típicas.

Enxaqueca crônica

Quando a dor ocorre em mais de 15 dias por mês, por pelo menos 3 meses. É um quadro mais debilitante e que exige tratamento preventivo e acompanhamento frequente.

Como diagnostico enxaqueca no consultório

O diagnóstico da enxaqueca é clínico. Não existe um exame específico que “mostre” a dor. O mais importante é escutar o paciente, entender o padrão das crises, frequência, duração, intensidade e sintomas associados.

Avalio se há histórico familiar, investigo sinais de alerta (que possam indicar outras doenças) e, se necessário, peço exames de imagem para afastar causas secundárias.

Mas em geral, a história bem contada é o suficiente para identificar a enxaqueca com segurança.

Existe tratamento para enxaqueca?

Sim! E ele pode mudar completamente a vida de quem convive com a dor. O tratamento pode ser dividido em:

Tratamento das crises

  • Analgésicos simples (em crises leves)
  • Anti-inflamatórios
  • Triptanos (específicos para enxaqueca)
  • Antieméticos (para náuseas)

É essencial que o remédio seja tomado no início da crise, para aumentar a eficácia.

Tratamento preventivo

Indicado para quem tem crises frequentes, intensas ou com grande impacto na qualidade de vida. Pode incluir:

  • Antidepressivos
  • Anticonvulsivantes
  • Betabloqueadores
  • Toxina botulínica (em casos de enxaqueca crônica)
  • Anticorpos monoclonais (novas terapias mais específicas)

Além disso, o controle dos gatilhos e mudanças no estilo de vida fazem parte do plano.

Nem toda dor é só dor: escute o que a cabeça está dizendo

A enxaqueca não é frescura, não é drama, e não é “só uma dorzinha de cabeça”. É uma condição neurológica real, séria e tratável. Quando a gente aprende a reconhecer os sinais, consegue cuidar melhor, evitar gatilhos e viver com menos dor.

Se você tem crises frequentes, intensas, acompanhadas de náuseas, incômodos com luz ou sons, talvez seja hora de olhar com mais atenção e buscar orientação especializada.

Vamos investigar suas dores juntos?

Se você sente dores de cabeça frequentes e quer entender se é enxaqueca, agende uma consulta comigo. Juntos, podemos identificar os gatilhos, definir um tratamento eficaz e melhorar sua qualidade de vida.

Telemedicina aos sábados (horário comercial), com agenda limitada durante minha especialização no exterior (Cleveland, EUA).

Atendo online: Parkinson, Demências (ex.: Alzheimer), Cefaleias/Enxaqueca e Epilepsia.

Quando o exame físico é essencial, articulo avaliação presencial com colega de confiança no Brasil e sigo o cuidado online quando indicado.

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Dr. Thiago Trajano
Neurologista
CRM: 219391/SP
RQE: 136520


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